Mural eletrônico da disciplina Atelier de Texto V
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This is where you stick random tidbits of information about yourself.
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Quarta-feira, Setembro 22, 2004
EQUIPE DO FALA COMUNIDADE - MATUTINO
Aline Barnabé - alilibarna@yahoo.com.br
Bárbara Lima - barbinhals@hotmail.com - 9939-7411
Belmiro Gomes - brsgomes@yahoo.com.br
Carla Sampaio - carlassampaio@hotmail.com
Carolina Grimaldi - calgrimaldi@yahoo.com.br
Carolina Costa - loly_sc@yahoo.com.br
Daiana Rodrigues - dairodrigues@uol.com.br - 99742004
Danilo Santana - ds.danilo@ig.com.br
Gabriela Braga - gabragavb@yahoo.com.br
Jaqueline Brito - jaque_brito@hotmail.com
Jorge Leonardo - leorpe@yahoo.com.br
Karina Baracho - karinabaracho@pop.com.br
Larissa Moraes - larigmoraes@hotmail.com
Ludmila Sena - ludsena@hotmail.com
Maíra Côrtes - mairacps@yahoo.com.br
Manuela Vaz - manuelareginavaz@yahoo.com.br
Marisa Mina - marisamina@bol.com.br
Milena Pacheco - mylpacheco@ig.com.br
Rafaela Zugaib - rafzumo@yahoo.com.br - 8817-3814
Renata Leite - rcleite@hotmail.com - 96098245
Ricardo Lins - riczulu@yahoo.com.br
Thisa Tanajura - santostanajura@yahoo.com.br
EQUIPE DO FALA COMUNIDADE - NOTURNO
Chico Alves- faz_jr@hotmail.com/ 384-9717/ 9987-0887
Danilo Cordeiro- Danilo-cordeiro@ig.com.br / 363-5516
Ismael Teixeira- ismateixeira@hotmail.com /367-7010/ 91953869
Kelly Palpinelli- kallypalpinelli@hotmail.com / 371-1614/ 88108- 5369
Paula Melissa- mel.yaba@terra.com.br / 8802-4314
Vivian Caroline- Vivian.Caroline@terra.com.br/ 8804- 4807
Sheila Pereira- sheupereira@fja.edu.br / sheupereira@hotmail.com/ 9933-2214
Soul Sócrates- soulsocrates@fja.edu.br /soulsocrates@ig.com.br / 288-3606/ 390-5006 / 9997-6605
Carlos Alberto Rocha- carlosavrocha@aol.com
Del Aquino- delaquino@hotmail.com
Rosiane Reis- enaisor@ig.com.br
Elisângela Muniz- lis_baiana@yahoo.com.br / 9906-9912
Gabriele Galvão- gabriele@fja.edu.br/ 9939- 5205
Fernanda Martins- nandinha@fja.edu.br/ semprenanda@yahoo.com.br / 9112-2725
Odília Martins- odília_@hotmail.com/ 8811-1595
Ayana Simões- ayanasimoes@yahoo.com.br/ 9195-7097
Kaliane Barbosa- kalianebs@hotmail.com / 9906-7465
Luciana Rosa- lucirinasilva@hotmail.com/ 9971-8589
Aline Andrade- aimandrade@fja.edu.br / 366-3881/ 343-3120/ 8823-1453
Michelle Costa- chelleoliveira@hotmail.com/ 356-0654/ 9191-0228
Priscila Oliveira- cilaoli@yahoo.com.br/ 304-9557/ 8828-3891
Ítalo Pacheco- falecompacheco@yahoo.com.br/ 369-0164/ 9199-4352
João Paulo Oliveira- jpa.oliveira@uol.com.br
5:20 PM
Quarta-feira, Setembro 15, 2004
Entrevista A Tarde - 15/09/2004
O cidadão como fonte da notícia
Uma grande reportagem pode ser escrita apenas com depoimentos de cidadãos e sem a necessidade de ouvir fontes oficiais ou especialistas, como reza a convenção jornalística, e trazer à tona discussões de temas de interesse público. Essa é uma das propostas de Jan Schaffer, diretora executiva do Instituto de Jornalismo Interativo da Universidade de Maryland (EUA), no 5º Congresso Brasileiro de Jornais, realizado pela ANJ (Associação Nacional de Jornais), em São Paulo. O que Jan Schaffer defende é o jornalismo cívico, voltado à cobertura social, cujo termo surgiu no início da década de 1990. A idéia é fazer os jornais ampliarem o contato com a comunidade e descobrir o que os leitores querem. Na última segunda-feira, em São Paulo, após a sua palestra ¿A importância do jornal e da liberdade de imprensa como instrumento na construção da cidadania e comunidade¿, Jan recebeu a jornalista Luciana Moherdaui, de A TARDE, para conversar sobre a importância de o cidadão ser fonte para produzir uma matéria.
A TARDE ¿ Os jornais brasileiros praticam pouco o jornalismo cívico. Como isso pode ser mudado?
Jan Schaffer ¿ Acredito que é possível fazer grandes projetos de jornalismo cívico no Brasil. Basta que haja bons editores, preocupados com a comunidade. Repórteres podem cultivar fontes em igrejas, em supermercados, em parques, em clubes, entre outros, e perguntar a elas quais são suas preocupações, seus desejos, de que maneira elas enxergam a sociedade. Eles podem colher informações sobre essas pessoas e criar um banco de dados organizado por tema, área geográfica, idade e sexo. Esses cidadãos podem ajudar os repórteres a entenderem os problemas da sociedade e escreverem sobre isso.
De que maneira os repórteres podem fugir às regras convencionais e buscar fontes diferenciadas para suas matérias? Como escapar da cobertura bipolar (ouvir os dois lados) e escrever um artigo sob a pressão do prazo de fechamento de um jornal?
Ensino estudantes a praticarem o jornalismo cívico. Criamos um mapa da cidade e peço a eles para fazer o seguinte exercício: eles se dividem em grupos e visitam bairros por duas ou três horas para conhecer pessoas, conhecer suas necessidades, criar uma agenda de contatos e trazer idéias de histórias. Por exemplo, eles almoçam em diferentes lugares todos os dias, atrás de idéias. Mas os repórteres experientes também podem fazer isso, investir em reportagens de interesse público. O jornalismo cívico é um dos gêneros do jornalismo. Isso não significa que não sejam produzidas pautas sob regras convencionais. Há o jornalismo e o jornalismo cívico, e não apenas o jornalismo cívico.
A cobertura do caso Clinton x Lewinsky (1998) foi muito criticada por destacar conflitos de pessoas e não de valores como, por exemplo, não levar em conta que o caso Clinton se tratava de uma disputa entre republicanos e democratas, entre Clinton e Keneth Star. Bush foi eleito por conta dessa ótica, a da imoralidade. É possível que os jornais mudem sua visão sobre esses conflitos?
Não se trata de destacar somente conflitos de pessoas ou de valores, mas de cobrir um fato levando em conta conflitos internos e externos. Freqüentemente esquecemos os valores que as pessoas têm de um determinado assunto. Precisamos ter em mente que entender a posição do público é interessante para relatar uma história real. Será que o público americano estava interessado no conflito pessoal de Clinton?
Até que ponto os jornais devem levar em conta a posição do público para relatar uma reportagem? Como obter essa medida?
Quando se trata de jornalismo cívico, o cidadão é a peça-chave para uma grande história. E é fácil medir a posição do público. Para isso, o jornalista deve pensar a notícia todo o tempo. É preciso ouvir as pessoas, prestar atenção à sua volta...
A senhora afirmou que a participação dos cidadãos pode transformar uma reportagem em uma narrativa-mestre. Como?
Uma narrativa é uma grande reportagem, não há um corte como ocorre nas notícias referenciais, informativas. É preciso conectar os pontos, usar diversidade de fontes e ajudar as pessoas a entenderem as questões de sua cidade.
A interação do jornal com o público é um mapa de cobertura? O cidadão é a fonte mais importante de uma reportagem?
Sim, uma matéria pode ser feita lançando mão apenas de cidadãos como fonte. Isso faz com que os jornalistas fujam do convencional. Em alguns casos, não ouvir autoridades envolvidas em determinados problemas pode trazer resultado positivo, pois, em uma história em que o jornal dá a voz para os dois lados, em vez de se defender, as autoridades podem tomar providências para reverter uma reação negativa da população.
De que maneira os cidadãos podem participar do jornalismo cívico?
É fácil elaborar uma força-tarefa, criando políticas de comunidade em que os cidadãos possam discutir temas de interesse de seu bairro ou sua cidade, por exemplo. O e-mail também é uma forma de contribuir para o jornalismo cívico. Pessoas com idéias em comum podem montar grupos de discussão e esses grupos se tornarão fontes para jornalistas.
Como a internet pode contribuir?
De muitas maneiras. Os cidadãos podem trocar idéias em programas de comunicação instantânea, chats temáticos, fóruns de discussão, blogs e e-mails. E os jornalistas podem participar desses grupos.
É mais fácil praticar jornalismo cívico na internet?
A internet permite uma comunicação global e isso facilita muito a discussão de temas de interesses sociais. Temos projetos no J-Lab (http://www.j-lab.org) sobre a participação dos cidadãos na produção de conteúdo e não só na discussão de temas de seu interesse.
O cidadão pode ser um repórter?
Sim, cidadãos podem escrever artigos, cidadãos podem sugerir matérias. Há jornais de comunidades produzidos por cidadãos em pequenas cidades dos EUA. Temos os blogs, escritos por pessoas que não são necessariamente jornalistas. Obviamente que há regras definidas no jornalismo, mas na internet qualquer um pode escrever. Por que não poderiam ser?
4:35 PM
Quarta-feira, Setembro 08, 2004
o nosso livro-reportagem do semestre é:
MITCHELL, Joseph. O segredo de Joe Gould. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
comprem e leiam assim que puderem, tá?
7:08 PM
gostaria de lembrá-los que temos um texto para a próxima aula: a grande reportagem "água grande", publicada em 05/06/2004 no a tarde, que está na pasta 570.
7:06 PM
Sábado, Setembro 04, 2004
Só o groove salva!
Sábado, Nordeste de Amaralina. Na laje, Quilombo Vivo grava seu
primeiro CD de hiphop+afro+baiano.
carla bittencourt
(A Tarde, 13/05/2004)
-Silêncio na laje! Gravando!
A ordem vem de Gilberto Monte [tara_code], produtor musical do
primeiro disco do Quilombo Vivo. Sentado na frente de um computador,
fone no ouvido, Gilberto organiza na sua máquina o afro-hip-hop que
vem de três canais: as pick ups de DJ Bandido e o verbo dos MCs Juno
e Jacó. É sábado, fim da manhã. Começa a gravação no Nordeste de
Amaralina. Ao invés de ar condicionado e isolamento acústico, temos
sol forte, grito de menino jogando bola, buzina de carro, ronco de
avião, cheiro de maresia. Estamos na rua Professor Luis Barrero,
laje da casa dos irmãos Juno e Bandido.
Se é ali que nasce a batida deles, nada mais natural do que ser esse
o lugar escolhido para colocar o som do Quilombo Vivo dentro de um
disco, certo? A idéia veio da Eletrocooperativa*, ONG de Salvador
que faz inclusão digital usando música: "Essas interferências é que
são o som de Amaralina. Se alguém contar um fuxico aqui, vai todo
mundo ficar sabendo", brinca Gilberto. Além do disco [que sem muitas
promessas deve sair em julho], são gravados dois videoclipes: "O
Valor da Liberdade" e "Canalizando o Ódio". Reinaldo Pamponet,
coordenador geral da Eletrocooperativa reforça: "o esquemão
fonográfico passa batido".
A escadinha para chegar na laje dá um frio na barriga. Não é alto
nem nada, mas é melhor não vacilar. Na mesa de DJ Bandido, vinis das
antigas de Gerônimo, Ilê Aiyê e Araketu reafirmam as referências
baianas que estão na base do som que a Quilombo faz há cinco anos.
Tem também o disco evangélico "A Última Trombeta", relíquia do tempo
que o nome do mercado era Paes Mendonça e que vira um senhor sampler
na faixa "Forca". Bandido manda tão bem que vai ser o único
representante da Bahia no Red Bull Hip Hop Rua, festival que espera
juntar 50mil pessoas em Porto Alegre no começo de junho.
Juno e Jacó a postos nos microfones. Ao redor, um varal improvisado
estende camisetas com o rosto de Zumbi, Che Guevara e o símbolo da
capoeira de mestre Bimba. Ícones de resistência e luta que também
vão tatuados nos braços dos caras. Entre uma música e outra [ainda
aquecendo] Juno conta que sua mãe já treinou capoeira com ele. E que
a influência dos bolachões foi obra de seu pai, que fazia todos os
14 filhos em casa prestarem atenção na música.
Churrasco, cerveja e mais som
O clima é família, com direito a sobrinha pequena, cachorro na telha
de eternit, amigo que chega para engrossar o coro, namoradinha que
vem assistir. Dali de cima, os tijolos do Nordeste de Amaralina
ganham outra perspectiva. Aquela música é a voz da periferia, que
contamina os vizinhos e ecoa no asfalto.
O recado deles, como diz uma das letras, é mais do que um grito - é
um tapão no pé do ouvido. E quem bate é o hip hop* [ritmo, poesia,
break, grafite, atitude cidadã, estilo de vida] que veio dos guetos
dos EUA e ganhou jeito brasileiro nas quebradas daqui.
Mais gente chega na laje, o sol dá uma trégua. Uma folha de jornal
colocada ao lado dos discos exibe o cotidiano violento no Nordeste
de Amaralina, periferia que sofre com as rixas entre traficantes,
com o preconceito estampado nas caras do asfalto, a falta de
emprego, a escola ruim, a falta de opção mínima de lazer. É uma real
política, que o Quilombo Vivo dá de forma bem direta e com estilo
próprio. Eles descobriram como andar pela contramão.
Bandido: "Esse disco marca a nova fase do Quilombo Vivo. Estamos nos
profissionalizando, saindo do obscuro, mas a levada continua a
mesma". O que significa: tambor, pegada de funk americano, bloco
afro e linguagem local. "O tambor da Bahia perdeu muito da sua força
com essa massificação do axé e do pagode. A gente quer justamente
resgatar essa batida", completa o DJ mostrando groove para deixar de
cara quem pensa que hip hop é só dedo apontado e letra nervosa.
O headfone passa de mão em mão para mostrar o que já foi gravado. A
essa altura, já está rolando o maior churrasco. A fumaça vai na
estética do filme. Já são quase cinco da tarde e o clima tímido do
começo se rendeu faz tempo. Tem pelo menos sete pessoas na laje
gritando "bota a mão pra cima". A gravação ainda vai dar muito
trampo, mas está na hora de descer. Agora, é esperar junho para
sentir o resultado.
Não custa repetir - O hip hop é uma forte expressão cultural, jovem
e urbana. Reúne basicamente três elementos: o rap, o break e o
grafite. Surgiu nos guetos de Nova Yorque [Estados Unidos] na década
de 70 e chegou ao Brasil no finzinho dos anos 80. De raiz
periférica, o hip hop também é um estilo de vida, a maneira
encontrada pelos negros, latinos e outros excluídos de cutucar as
injustiças do sistema.
A Eletrocooperativa [rua João de Deus, 34, Pelourinho] é uma ONG
novinha que trabalha inclusão digital através da música, atendendo
principalmente garotos que já trabalham percussão em blocos afro da
cidade. DJ Bandido, que dá oficinas de hip hop dá seu recado: "A
música coloca esses meninos em contato com o mundo digital".
8:21 AM
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